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Trabalho de Ian Potts

Novembro 1, 2007

 

Tradução por Luís Gomes

Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.Romanos 5:21

Que a graça de Deus reine…

Este verso que se apresenta perante nós marca o contraste entre dois reinos – dois domínios, dois poderes, e o efeito de cada dos reinos: um para a morte e o outro para a vida eterna.

O contraste entre estes dois reinos não poderia ser mais real, e vivido. As consequências não poderiam ser mais opostas, e a sua importância destacada em superabundância.

Um reino reina para a morte e o outro para a vida eterna.

O primeiro é o reino do pecado. E como este reina sobre o homem e como é devastador as suas consequências – morte… quanto longe vai o efeito do pecado e o quanto é vasto este reino. Este pecado cativa e governa os corações dos homens. Como nós podemos ler em Romanos 5:12:

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

Todos nós temos pecado. Não há nem uma pessoa que não tenha sido um subordinado deste reino e que não estivesse sobre o seu domínio. Este reino entrou no mundo por uma só pessoa, por Adão quando ele se virou do seu Deus seu Criador em desobediência e rebeldia. Passando este efeito e domínio sobre toda a sua posteridade. Todos nós nascemos com a mesma natureza da qual Adão caiu, e dando-nos uma natureza pecadora, rebelde e egotista a carne fazendo o homem desobediente a Deus. A consequência do pecado foi dar entrada a morte neste mundo. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

Nós não podemos escapar as consequências do pecado – morte – como também não podemos ignorar nem escapar a ‘causa’ do pecado nem os seus efeitos perpétuos sobre tudo que fazemos e dizemos.

O pecado reina este mundo e a humanidade encontra-se acorrentada sem poder de fuga. Não só nós nos encontramos acorrentados a este reino pútrido como a morte tem domínio sobre nós. Não só vemos os efeitos da morte nos nossos corpos pelo envelhecimento, mas também pelo sofrimento e pela amargura. Doenças, cansaço, miséria em todos os dias da nossa vida são alguns dos seus efeitos. Sabemos bem qual é a conclusão de tudo isto. Sendo o seu resultado inevitável – morte. Mas há uma outra morte.

A morte espiritual. Esta é semelhante a morte natural. Apesar de andarmos pelo mundo e de respirar e ter pulso, para Deus estamos como mortos. Vemo-nos sem vontade para nos virarmos a Deus. O pecado guia-nos numa outra direcção. A verdadeira relação que o homem tinha para com Deus foi quebrada quando Adão mudou de direcção afastando-se de Deus. O SENHOR Deus andou com Adão no jardim, mas quando o pecado entrou no mundo Deus expulsou Adão da Sua presença deixando um intervalo entre o homem e Deus do qual homem nenhum consegue por si mesmo atravessar. A causa deste espaço foi o pecado e o efeito do pecado foi a morte não só natural mas como também a morte espiritual.

Quando Adão escolheu virar a costas a Árvore da Vida que estava no meio do jardim em comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal – pelo comer daquilo que desejava para se tornar deus, – Génesis 3:5Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Ele escolheu um terrível caminho que o levou a morte física e espiritual. Ele escolheu em colocar-se sobre o domínio de um outro reino invés do domínio de Deus, toda a humanidade ficou prisioneira pela sua decisão. O homem na sua ganância por poder desejou governar-se a si mesmo, mas com isto o seu pecado tomou as arredias assumindo o poder e o homem caiu em escravidão. O pecado cobiça e motiva as intenções do homem sempre numa só direcção – sempre para longe de Deus e daquele Único em que há vida. O pecado conduz o homem na direcção oposta de Jesus Cristo que é a vida eterna, para a morte, porque o pecado reina para a morte.

Mas que reinado que o pecado tem sobre nós. Como nós somos escravos dele e sobre o efeito alicio que ele tem sobre o homem. Não só o pecado tem reinado, mas de boa vontade aceitamos o seu domínio. Não só somos incapazes de nos virar contra o pecado e virar-nos para Deus, mas como estamos sempre sem vontade de o fazer. Como disse Adão no jardim, – Génesis 3:10E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.” Nós escolhemos sempre este caminho.

Como Paulo escreve em Romanos 3:10-11Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.”

Nenhum de nós pode disser que é inocente porque tal como o nosso pai Adão aceitamos de boa vontade a queda, porque nós dissemos sobre Jesus Cristo o Filho de Deus, Lucas 19:14Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós” e no nosso orgulho e ganância por poder, procuramos colocar-nos sobre o trono de Deus.

Nós iremos reinar, não acha.

Não será desta forma que os nossos corações falam.

Que parvoíce é esta, que leva o pecado a nos cativar desta forma irresistível, tornando-se indiscutível o domínio que tem sobre nós levando-nos para a morte.

Mas graças ao SENHOR isto não termina assim falando de um só reino. Dêem louvor ao SENHOR porque há outro reino, um reino glorioso no poder de Deus e com resultados diferentes daquele do pecado. Apesar do reino do pecado em toda a sua majestade com o seu efeito devastador e vicioso a humanidade não se encontra desculpada pois é de boa vontade que o aceita trazendo a si mesma a morte pelo pecado. Mas agora a graça de Deus reina na justiça em Cristo para a vida eterna para todos aqueles que acreditam, como podemos ler no verso 5:21 da carta de Paulo para romanos.    

Romanos 5:21 ” Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.”

Na verdade Deus seria justo em deixar o homem sem fuga, sem qualquer forma de salvação, como também seria justo se Deus destruísse a Sua criação com todas as criaturas rebeldes que se têm virado contra Ele, mas apesar disto tudo Deus escolheu ser gracioso. Deus é um Deus que gosta de mostrar misericórdia, sendo perseverante como um Deus de amor salvando o Seu povo e graciosamente enviou o Seu Filho para redimir e libertar o Seu povo das correntes e domínio do pecado. Porque há um reino muito mais poderoso do que o do pecado – o reino da graça. Podemos agora ver o contraste destes dois reinos, o pecado reina para a morte, mas a graça de Deus reina para a vida eterna.

O reino do pecado foi o reinado da rebeldia e desobediência do homem perante Deus, do qual trouxe a morte. Mas o reino da graça de Deus mostra o favor que Deus oferece ao homem sem este ter qualquer mérito a fim de o salvar e lhe dar vida eterna em Jesus Cristo apesar da sua rebeldia.

Um reino começou com o homem (Adão) e o outro com Deus. Um reino traz morte mas o outro reino traz vida eterna. O anterior foi ganho pela acção e mérito do homem, mas o de agora é recebido sem mérito, sem qualquer preço, oferecido ao homem sendo uma oferta de Deus sem qualquer aparente razão a não ser a Sua misericórdia e amor para todos aqueles que Ele escolheu. Um reino foi escolhido pelo homem através da sua livre vontade, mas o outro é oferecido livremente por Deus através da Sua Soberania. Um reino está debaixo da lei exigindo obras e condenando o homem pelas suas ofensas, mas o outro reino existe sendo oferecido a pecadores arrependidos, tendo-lhes sido perdoado todos os pecados e ofensas.

Mas que contraste entre estes dois reinos. Podemos agora ver que apesar do reino do pecado ser muito soberbo e poderoso o reino da graça de Deus é muito mais. Apesar do poder e forca que o pecado tenha, este não se pode comparar com a graça. Mesmo forte que seja o domínio do pecado sobre o homem, este não pode fazer frente a Deus todo-poderoso em salvar pecadores. Porque nós podemos ler em Romanos 5:20Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; ” mesmo que por a ofensa de um (Adão) muitos estão mortos “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. ” (Romanos 5:15), e “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” (Romanos 5:17).

O reino e o poder do pecado não importa o quanto forte é porque quando Deus destina a Sua graça sobre um pecador a fim de o salvar nada o pode fazer frente quanto menos o vencer, porque quando o reino da graça tem domínio todos os outros reinos são postos de fora. Porque o pecado não terá domínio sobre nós, (aquele que acredita e foi justificado em Cristo) como podemos ler em (Romanos 6:14) “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.”

O facto é este: o homem não tem poder em se libertar do domínio do pecado. A única esperança do homem em ser liberto é a Graça de Deus. O pecado encontra-se no homem, tendo total controlo sobre ele dominando-o e motivando-o. Somente através de um acto da Graça de Deus em o libertar e em lhe retirar o pecado, afim de nunca mais se poder ver, é que o homem pode ser liberto desse domínio. Uma simples alteração de carácter não tem efeito sobre o domínio do pecado nem forca para o libertar das correntes do qual o prende. Não há obra nenhuma nem esforço por parte do homem em viver justamente que o possa libertar da tirania do pecado do qual ele se encontra. Os melhores actos da humanidade muito nobres que sejam, até mesmo actos de caridade que se possa fazer são sempre contaminados com o pecado para com Deus. Não são nada mais do que trapos sujos. Como disse o profeta Isaías.

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6)

As nossas melhores obras estão banhadas em pecado.

Alguns se viram para a lei a fim de poderem controlar o pecado e viver agradando a Deus. Estes pensam que se conseguirem alcançar os requerimentos da lei que vão poder ganhar favor com Deus, mas não poderiam estar mais enganados. Quando o homem que é pecador se coloca debaixo da lei este fica longe de poder controlar o pecado porque a lei inflama e revela esse mesmo pecado. Longe de levar esse homem a vida, a lei mostra-lhe o quanto ele é maligno no seu coração e por fim o condena. Como nós podemos ler em Romanos 5:20Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; ” não para controlar mas sim para que a ofensa abundasse. Foi por isso que Deus deu a lei, para mostrar ao homem o quanto ele é pecador. Para que a ofensa abundasse, para que o homem seja condenado e para que ele fuja para Aquele que o pode salvar e libertar do pecado e morte. Este que salva e liberta é Jesus Cristo que foi crucificado pelo povo de Deus. A lei pode até marcar um ponto para a justiça do qual Deus requer do homem e exige afim que ele nela viva. Mas quando o homem se coloca debaixo da lei o conhecimento que ele recebe por experiencia não é de justificação mas sim de condenação pelo seu mesmo pecado. Foi por esta mesma razão de certos homens quererem viver debaixo da lei que Paulo escreveu na carta para romanos – “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. ” (Romanos 3:20). E novamente em Romanos 7 – “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.”

Não há nada de mal com a lei de Deus. O problema é o pecado que existe dentro de nós e o efeito da lei sobre o pecado.

A lei é Santa como podemos ler na observação de Paulo nos seguintes versos.

E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.” (Romanos 7:12-13)

Quando a lei veio o pecado abundou como nos é dito em Romanos 5:20. A lei não providenciou nenhuma forma de libertação do pecado, mas sim fez as coisas piores afim de poder mostrar-nos o nosso pecado.

Mas dêem louvor a Deus que agora há isenção do domínio do pecado. Há um outro reino muito mais poderoso – o reino da Graça de Deus. Como é magnífico observar nas vidas daqueles que Deus salvou pela Sua graça. Quando lhes foi aplicada a lei mostrando-lhes o quanto são corruptos por natureza. Demonstrando-lhes o pecado e as suas inabilidade de se poderem salvar do reino e domínio do pecado por eles mesmos. Não há pecado tão grande nem pecador que a Graça de Deus não alcance. Porque onde o pecado abundou a Graça abundou muito mais.

A graça reina e que reinado. Como poderosa é a garça de Deus. Como é grandioso este reinado e o reino do céu. Quantos são os habitantes? Numero que homem nenhum consiga contar. Mas a graça e o reino não pode ser considerado fora Daquele que o garante que é Cristo. Como o pecado com o seu reino não pode ser considerado fora daquele que por ele o pecado entrou no mundo, este sendo Adão – mas a graça de Deus veio por meio de um Homem – Jesus Cristo nosso Senhor. É este facto que faz a graça ainda mais deslumbrante e o seu reino triunfante. O primeiro homem é terrestre e com ele trouxe o pecado e a morte, mas o segundo Homem, o ultimo “Adão” que é do céu trazendo consigo a justiça eterna, Cristo o Filho de Deus sendo Homem e Deus tanto divino como humano. Sendo Deus soberano por toda humanidade e criação, e sendo assim Rei dos Reis e Senhor. Eis o porquê que a Sua graça reina pois é a graça de um Rei soberano e eterno. É graça soberana de Deus em Cristo e Cristo é Rei oferece-a essa mesma graça a quem Ele deseja. Como se lê na carta de Paulo para romanos –

Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.” (Romanos 9:15).

Ó como é bom ser recipiente desta graça divina e estar debaixo do Seu reinado.                         

A graça reina sim, mas reina em através da justiça de Deus.

A graça reina através da justiça mas não reina isolada.

A misericórdia de Deus para com o homem não vem ao custo da Sua mesma justiça. A graça de Deus reina através da justificação na justiça de Deus. Sem justiça o reino não poderia existir nem poderia vencer o reino do pecado. O pecado tem de ser tratado para que Deus seja justo e o justificador de pecadores. Novamente se afirma que a graça reina mas reina em justiça.

O tema central do Evangelho é a justificação e a revelação da justiça de Deus. São estas mesmas revelações que dão poder ao Evangelho, e eis a razão de Paulo ao escrever, “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1:16). Porquê? “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé,“.

É esta a revelação da justiça de Deus que da o poder ao Evangelho. É através da Justiça de Deus em Cristo que os pecados do Seu povo são julgados, sendo Cristo o Salvador e o libertador do poder e reino do pecado. É através da revelação da justiça de Deus na redenção efectuada por Cristo, que leva Deus a justificar o Seu povo livremente pela Sua graça. Tendo compreendido esta magnífica revelação da justiça de Deus, podemos agora ler o que Paulo escreveu na carta para Romanos 3:24-26

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus

Deus revela a Sua justiça no Evangelho quando julgou o pecado e o seu reino, destruindo esse mesmo domínio do qual o Seu povo era subordinado no substituto – Seu Filho Jesus Cristo. Cristo quando sofreu e morrer no lugar deles libertou-os do pecado, morte e da condenação, fazendo-os justos perante Deus em Si mesmo. Agora esse povo é justificado pelo Seu sangue e morte na cruz. Eis que Deus justificou o Seu povo “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus

Foi Deus que fez isto ao Seu Filho. Só há um Homem que poderia morrer no lugar de pecadores a fim de os redimir do reino do pecado, e esse Homem é Jesus Cristo. Só Cristo é que os poderia libertar do pecado. Porque Ele não tinha pecado, sendo perfeito justo e santo. Deus que tomou em Si mesmo a forma e natureza humana do homem em perfeita união com a Sua divindade, foi feito em todos os aspectos tal como nós, mas sem pecado. Deus Incarnado – Jesus Cristo, sendo somente Ele o único sacrifício perfeito e aceitável para com Deus a fim de morrer no lugar de pecadores.

E assim Deus declarou e declara a Sua perfeita justiça em julgar o pecado do Seu povo no Seu querido Filho sobre a cruz. Sobre aquele que foi feito – “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21)

Cristo nunca soube o que era pecado. Durante mais de trinta anos Cristo viveu e andou neste mundo. Nasceu como homem debaixo da lei, mas vivendo em perfeição. Cristo nunca pecou como nunca deixou de acreditar, obedecer, confiar e de adorar Deus Pai com todo o Seu coração mente e alma. Ele nunca pecou – Ele não sobe o que é pecado. Cristo foi feito debaixo da lei a fim de redimir aqueles que estavam debaixo da lei.

Cristo foi testado pela lei de Deus em todos aspectos e em total rigorosidade. Foi testado ao limite da justiça, mas nada Lhe foi encontrado que o condenasse. Porque Cristo foi e é perfeito tendo ampliado a lei fazendo-a honrada. Assim de livre vontade submeteu-se a morte sobre a cruz no lugar do Seu povo, mesmo sendo perfeito e inocente, e sem qualquer falha ou razão para condenação. Cristo submeteu-se a vontade do Seu Pai, dando-se a Si mesmo para ser levado por mãos de homens corruptos para ser pregado na cruz a fim de sofrer e morrer no lugar de transgressores.

Mas a pergunta surge, o que é que aconteceu quando Jesus Cristo foi pregado na cruz e erguido para morrer? O que foi que aconteceu quando a luz do sol foi escurecida a nona hora?

Isto foi um mistério do qual foi escondido aos olhos naturais do homem. O que é que aconteceu durante essas horas de escuridão enquanto Cristo sofria no lugar do Seu povo, foi uma tremenda transacção entre Deus Pai e o Seu Filho do qual nenhum homem natural poderia compreender. Esta morte não foi uma morte ordinária como muitas outras, não senhor, nem foi um sofrimento banal. Quando Cristo sofreu sobre o madeiro não foi a dor e sofrimento natural que o matou, mas sim a ira de Deus que Lhe foi derramada sobrenaturalmente. Isto tudo juntamente com o sofrimento de se tornar indirectamente no lugar do Seu povo, (sendo sido feito pecado). No madeiro, Cristo e o Seu povo foram feitos num só, unidos na morte. Como Eva foi retirada do lado de Adão enquanto ele dormia da mesma forma na morte de Cristo a Sua Noiva – Igreja – foram unidos a Ele e trazidos do Seu lado sendo lavados no Seu precioso sangue justificando e purificando-os de todos os pecados.

Na cruz Cristo se tornou um com a Sua noiva, unido com ela, sendo sido feito naquilo que ela era – pecado. O pecado dela traduziu-se para Cristo. As transgressões dela fizeram-se Dele quando Cristo as carregou no Seu corpo sobre o madeiro, e em resposta a ira de Deus Pai foi-lhe derramada dos cofres do céu sendo feito sacrifício para julgar o pecado a fim de serem totalmente consumados, destruídos, e apagado para sempre. Enquanto Cristo suportava a cruz para a alegria do que Lhe estava proposto – enquanto olhava para o Pai com fé na esperança da gloriosa ressurreição em justiça com o Seu povo justificado – Cristo tolerou por completo o castigo da justiça de Deus. Justiça esta definida por Deus contra todo o pecado e transgressões do Seu povo. Cristo tolerou e suportou horas de tormento, horas de sofrimento imaginável para nós.

Porquê? “pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2)

Por fim Cristo poderia ver o esforço da Sua alma e se satisfazer. (Isaías 53:11) Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.

Através da morte Cristo justificou o Seu povo, gratuitamente pela graça. Pois graça não é barata, mas sim veio com um preço. A graça reina e Deus justifica o Seu povo livremente pela graça, mas vem com um custo, vem através da justiça. Cristo deu a Sua vida pelos Seus – foi este o custo. Mas porquê que Ele fez isto? Porque Cristo os amou. Como nós podemos ler no seguinte verso:

Mas Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9)

  Foi por Cristo amar a Sua igreja que Ele deu a Sua vida por ela. “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,” (Efésios 5:25)

Quando Cristo morreu por aqueles que amou, Cristo colocou-se debaixo da justiça de Deus, e ao fazer isto a justiça de Deus foi declarada no Evangelho e Deus julgou os pecados do Seu povo de acordo com a Sua mesma justiça. Não só de acordo com a justiça da lei, mas de acordo com a justiça de Deus não só para justificar para a vida nem somente para este mundo, mas sim para o próximo mundo que há-de vir. Justificados para toda eternidade a fim de reconciliar um povo para com Deus, trazendo-os para Si mesmo. “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.” (Romanos 3:21-22)

Foi desta forma e é a única forma de que Deus poderia justificar o Seu povo e os libertar do domínio do reino do pecado. Foi desta forma que o reino do pecado foi conquistado e agora o reino da graça reina em triunfo. A graça reina mas sim através da justiça.

No madeiro Deus justificou o Seu povo livremente pela Sua graça. O amor de Deus foi destinado para com um povo que o não merecia, um povo rebelde dados ao pecado e subordinados do reino do pecado e da morte. Mesmo assim, Deus manifestou a Sua justiça na cruz através da fé de Jesus Cristo, a fim de destruir o pecado e o seu reino e libertando assim o Seu povo que se encontrava nele acorrentado. Deus mostrou compaixão e graça para com um povo que o não procurava e essa graça que lhes deu veio, mas veio por um preço – custou a vida do Salvador (Cristo). Cristo deu-se a Si mesmo por todos aqueles que Lhe pertencem.

(Gálatas 2:20) “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

A graça de Deus e gratuita para o Seu povo mas como podemos ver, esta graça veio através de um preço. Veio através da justiça de Deus executada sobre o Seu santo Filho quando Ele se apresentou no lugar do Seu povo, unido com eles a fim de os trazer através do julgamento para a vida eterna, levando-os através da Sua fé na promessa do Seu Pai. Na cruz a misericórdia e a verdade de Deus se encontraram, e a justiça e a paz se beijaram. Mas que ponto de encontro, e que grandiosa a reconciliação entre Deus e o homem. Esta reconciliação foi executada quando Cristo deu a Sua vida para que o Seu povo pudesse viver. Cristo foi feito pecado para que o Seu povo em Si fosse feito a justiça de Deus alcançando assim paz para com Deus.

(Salmos 85:10) “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.”

Através da obediência de Cristo, a obediência da fé, em dar-se a Si mesmo pelo Seu povo, eles agora são justificados em Si, livres da condenação, lavados de todos os pecados pelo Seu sangue, e justificados livremente pela Sua graça. Foi em justa justiça que Deus em Cristo julgou os pecados do Seu povo apagando assim os pecados pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Não só os pecados foram julgados em Cristo e apagados, mas como também a natureza do pecado na sua forma natural recebida por herança através de Adão em destruindo tudo isto no corpo de Cristo enquanto no madeiro. Tudo foi consumindo na sua totalidade através da incendiada ira e indignação de Deus, fazendo aquele povo em Cristo perfeito como Cristo é perfeito. E por esta razão Deus é justo e o justificador de todos aqueles que acreditam em Jesus Cristo Seu Filho. Desta forma Deus mostra a Sua misericórdia para com o Seu povo e lhes garante perdão, e assim podendo salvar o Seu povo do pecado através da Sua graça – libertando-os do pecado.

(Romanos 6:6) “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. ” Agora reina a graça – através da justiça fazendo este reino vitorioso e triunfante. Reino que ultrapassa qualquer outro reino até mesmo o reino da morte e do pecado, porque foi Cristo que os conquistou através da Sua morte retirando a maldição do pecado por ter-se tornado maldição pelo Seu povo na cruz. E a morte não tendo força nem domínio sobre Ele, Cristo ressuscitou no terceiro dia com vida eterna como está escrito nas escrituras. Cristo agora vitorioso sobre todos ‘note’ não só um ou dois mas sim todos inimigos. Nada Lhe pode fazer frente nem de o impedir nem mesmo a morte teve poder sobre a graça e reinado de Jesus Cristo.

A graça reina e reina através da justiça para a vida eterna em Cristo nosso Senhor.

A graça de Deus tem um objectivo, um fim triunfante e magnifico – vida eterna. Em contra partida o pecado trouxe miséria e morte mas a graça traz vida eterna em Jesus Cristo. Mas que gloriosa revelação e esperança que é proposta ao que acredita – vida eterna, vida sem fim. Uma vida sem fim e sem morte. Vida livre da miséria e da tristeza liberta do domínio e reino do pecado.

E como é que veio este reino? E quem foi que o trouxe? Foi Jesus Cristo nosso Senhor. O autor e realizador o principio e o fim o Alfa e Ómega. A graça reina para a vida eterna porque Cristo é vida eterna – a palavra da vida como está escrito em 1João 1:2 Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada“. Conhecer Cristo é saber o que é a vida, conhecer Cristo é vida eterna pois Cristo é vida eterna. É isto que a graça traz – vida eterna em Jesus Cristo.

Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus. 1João 5:12-13

Ter vida eterna é ter Cristo. Ter Cristo é se estar em Cristo, e se nós estamos em Cristo, nós somos feitos na justiça de Deus em Cristo (2 Coríntios 5:21) porque nós somos justificados pela graça em Cristo e se justificados então justificados para a vida.

(Romanos 5:18) “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida

E se tudo isto é verdade sobre nós então estamos agora sobre o domínio de um novo reino – o reino da graça tendo sido libertos do reino do pecado e da morte por Cristo.

Ó que libertação. Ó que preço.

 A graça reina através da justiça. Cristo morreu no lugar do Seu povo afim de os poder salvar. Cristo suportou a cruz apesar da vergonha (Hebreus 12:2). Porquê? “pelo gozo que lhe estava proposto“.

Que gozo é este? De poder salvar o Seu povo da morte e do pecado e de os reconciliar para com o Pai.

Ó que gloria.

Romanos 5:21Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

Quem são aqueles que têm vida eterna? São todos aqueles que Deus escolheu em Cristo muito antes de este mundo ter sido feito, a fim de serem salvos por Cristo, o autor e consumador da fé. Leia como Paulo explica em Efésios 1:3-12 ousadamente e escreve sobre o propósito de Deus em Cristo Jesus.

Romanos 11:5Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça.”

Adão através da sua desobediência trouxe o pecado e a morte resultando em condenação para toda a sua posteridade, mas Cristo que é o ultimo Adão através da Sua obediência trouxe justiça e justificação para a vida para toda a Sua posteridade segundo a eleição da graça.

Romanos 5:18Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida

Onde o pecado exuberou a graça exubera muito mais. Romanos 5:21Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

Agora podemos perguntar a seguinte pergunta a nós mesmos:

Em que reinado nos encontramos neste momento? Do qual amamos mais – pecado ou graça? O que é que nos motiva? Qual é o governo que controla a nossa vida, pensamentos e acções?

Para onde é que nós vamos?

Será que nós sabemos o que é a graça e seu reino sobre nós? Será que já nos foi doada esta graça? Somos agora neste momento recipientes desta graça? Será que já gritamos por misericórdia e por graça? Será que já fomos levados pela obra e trabalho do Espírito santo a ver o quanto necessitamos de graça? Será que conhecemos e sentimos o reino da graça nos nossos corações? Será que o reino da graça de Deus reina sobre as nossas vidas princípio e fim?

Será que conhecemos o Rei Soberano, supremo e absoluto que nos concede esta maravilhosa graça? Somos nós habitantes do Seu reino? Será que conhecemos Jesus Cristo como Senhor e Rei de tudo e todos?

Será que podemos dizer com toda a firmeza tal como Paulo disse “também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” Como é bom poder juntar-se a Paulo e disser “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Gálatas 2:20.

Que Deus abençoe a Sua palavra para a Sua gloria,

AMEM

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Trabalho de:

Ian Potts

Fevereiro 6, 2007

 

Tradução por Luís Gomes

 

Abraão acreditou em Deus.

 

Tendo apresentado o trabalho de Deus na justificação de pecadores, “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.“, no fechar do capitulo 3 Paulo apresenta 3 perguntas hipotéticas das quais alguém poderia vir a perguntar em resposta a doutrina e ênfase colocada sobre a fé e trabalho de Deus.

Com três breves respostas Paulo afirma a verdade sobre a justificação pela fé perante uma eventual oposição céptica.

 

Romanos 3:27Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Näo; mas pela lei da fé.

 

Romanos 3:29 É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,”

 

São estas três perguntas e respostas que Paulo procede em abrir, expandindo mais profundamente o seu significado no capítulo 4. Usando a crença de Abraão como exemplo, ilustra o contraste entre a justificação procurada por meio de obras da lei, e a justificação pela gratuita graça de Deus. Pelo qual Deus justifica pecadores não meritórios através da fé, fazendo assim todas as bases para orgulho e formas de vaidade excluídas por completo.

Paulo mostra a bênção que é em ter todos os pecados perdoados e de ser justificado, e por fim revela o peso e medida da misericórdia de Deus para com o judeu e o grego. Ele faz isto por mostrar que a lei é estabelecida através da justiça da fé, que é oferecida a todos do qual pertence a promessa, como “da fé que teve Abraão,”                           

 

Orgulho excluído pela lei da fé… Romanos 4:1-8

Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não prática, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Paulo começa por perguntar o que é que Abraão descobriu e o que é que lhe foi ensinado por Deus (4:1) sobre a salvação, e justificação. Estes factores são de grande importante a fim de compreender seu significado antes de sabermos o que é ser abençoado com o perdão dos nossos pecados.

Abraão foi ensinado “segundo a carne“, que as suas obras e seus esforços religiosos nada poderiam fazer para o salvar – absolutamente nada. Essas obras não são nada mais do que trapos imundos perante Deus. O melhor que poderia ser feito é sempre contaminado com o pecado. Essas obras ou boas acções podem aparecer significantes e comemoráveis aos homens. Podem até dar a Abraão espaço para se gloriar perante os homens, mas não perante Deus, porque perante Deus Abraão se apresentaria como o resto dos homens, pecador e injustificado. Seja Abraão ó qualquer outro homem, mulher ou mesmo criança por mérito próprio ou esforço, muito que tente nunca conseguira produzir a perfeição que Deus demanda.  

Repare como Paulo responde em Romanos 3:27 “jactância É excluída pela lei da fé”. Paulo refere-se aqui ao Evangelho e àquela fé que se encontra no coração do Evangelho como uma lei e princípio, encontraste com a lei de obras. Paulo faz isto para por ênfase no contraste entre a fé e aquilo que caracteriza a lei – obras. Eis o porquê que o Evangelho é referido como lei mas sim uma lei caracterizada pela fé. Aqui está a lei executada não por obras mas sim por acreditar sendo esta uma lei que trás justiça não por obras, mas sim por fé – “a justiça da fé“.

Esta justiça é trazida por Deus para a conta do Se povo. É lhes é imputada. Mas é de relembrar que aquele que acredita não tem qualquer mérito em a receber. Porque Deus imputa e declara o crente justificado gratuitamente por Sua livre vontade. Quando um crente acredita em Jesus Cristo a crença ou o acreditar não é a causa da justificação mas sim o efeito, é sim o resultado do trabalho do Espírito Santo na alma do crente que a leva há acreditar em Cristo. Esta justificação foi importada pela fé de Cristo e é recebida pela fé do crente como uma oferta de Deus.

Eis o porquê de não haver origem de orgulho. Sendo assim leva todos os esforços e obras dos homens a nada – foi assim que Deus salvou Abraão. Não por obras mas sim por graça. Não pela lei, mas sim através da fé. Se Abraão fosse justificado pelas suas obras teria algum para se orgulhar e a salvação seria uma recompensa das suas obras uma divida que teria de ser paga. Ele teria tido mérito e por fim ele á teria merecido (4:4) mas como poderia ele a ter a tido merecido sendo Abraão visto por Deus como ímpio?

O que Abraão descobriu e veio acreditar foi que a salvação é e tem de ser por meio da graça gratuita de Deus, porque ainda em seus pecados e enquanto ímpio, Deus o justificou e o perdoou de todas iniquidades e pecados. (4:7)  

A fé de Abraão foi-lhe contada como justificação. (4:5) Agora isto não quer dizer que a fé de Abraão por si é justificação mas sim que Deus contou como justificação. Foi Deus que imputou essa justificação em Abraão por causa da justiça de Deus em Cristo do qual Abraão olhou e descasou em fé que a justiça que Cristo trouxe para a conta do Seu povo quando Ele sofreu e morreu na cruz em lugar do Seu povo removendo por completo todos os pecados do Seu povo. Cristo ao sofrer na cruz tomo em Si o derrame da ira de Deus, o castigo pelos pecados de muitos retirando assim os pecados e cobrindo o Seu povo com o Seu Santo sangue que por e só para eles foi derramado.

Foi desta forma que Abraão foi justificado e é este o alvo do qual a sua fé descansou. A graça de Deus trouxe Abraão há acreditar, abrindo-lhe os olhos para a verdade. Abraão vendo o seu estado perante Deus compreendeu a necessidade em ter os seus pecados perdoados, então Deus na Sua grandeza o abençoo. Abraão entrou na mesma bênção do qual Davi falou e se alegrou quando escreveu no Salmo 32:

BEM-AVENTURADO aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.  Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.

Ó a bênção de ter os pecados perdoados. Ser justo perante Deus – ser perdoado. Ser contado como justificado perante o Santo Deus.

É esta mesma bênção do qual Abraão e Davi falaram e acreditaram.

Romanos 4:9-12 “Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão. Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.  E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada; E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão.

Desde do verso 9 até o verso 12 Paulo fala sobre a seguinte pergunta: quais são aqueles que Deus justifica. Será que esta bênção de justificação só cai sobre os judeus ou também sobre os gentis. Será que é só sobre os que estão na circuncisão ou também na incircuncisão.

A resposta é solene. Não somente sobre os judeus mas também sobre gentios, mas como é que Paulo se prova nesta questão? Ele o faz mostrando que a fé de Abraão foi imputada como justiça. Não quando ele estava em circuncisão mas sim antes de ter sido circuncidado. A circuncisão é vista pelos judeus como uma representação da lei deles, mas a lei foi dada somente 430 anos depois e foi dada por causa da especial relação daquela nação com Deus. Mas a circuncisão de Abraão foi como um selo da justiça da fé que ele recebeu antes de ter sido circuncidado. Abraão não foi justificado pelas obras da lei nem pela natureza do seu nascimento nem pela obediência ao comando de Deus no acordo da circuncisão, mas sim pela fé no trabalho de Deus. Deus justificou Abraão através da morte de Cristo, morte do qual trouxe a justificação que Deus gratuitamente atribuiu a Abraão e para todos os seus descendentes que acreditam na promessa. Dos mesmos que são levados como Davi a conhecer a bênção em ter suas iniquidades perdoadas e em justificação imputada por meio da graça divina de Deus.

Uma geração de pessoas com a mesma fé de Abraão. Sendo estes ambos judeus e gentios. Abraão sendo assim o pai de muitas nações e de uma multidão impossível ao homem de contar.

Pessoas que têm isto em comum: são todas elas que se encontram em Cristo. são estes a verdadeira semente de Abraão. Sendo Cristo o primogénito de muitos filhos Aquele que pela Sua morte trouxe a prometida herança para todos aqueles que acreditam tanto judeu como gentio. Como nós podemos ler em Gálatas 3:11-18

E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá.

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.

 Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo. Mas digo isto:

Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa. Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão.

 

Qual é a sinal ou marca deste povo? Paulo diz que a marca ou sinal é a seguinte:

Romanos 4:12E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão,” eles acreditaram em Deus e lhes foi contado como justificação, como diz as escrituras e Paulo o também afirma em Romanos 4:3Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Quem instituiu a lei da fé?

A resposta está em Romanos 4:13-25

Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vä e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão. Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. Assim isso lhe foi também imputado como justiça. Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta, Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.

Desde o verso 13 do capítulo 4 Paulo vira a atenção a terceira e ultima pergunta levantada no final do capítulo 3, “Anulamos, pois, a lei pela fé?

Como é importante em responder a esta pergunta. Paulo já tendo tratado com o desacreditar encontrado na pergunta – responde com toda a firmeza – “De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” Agora Paulo procura demonstrar através do exemplo da promessa feita a Abraão e da fé de Abraão que a fé estabelece a lei.

No verso 13 Paulo afirma a verdade do Evangelho levando-nos ao primeiro livro da Bíblia afim dos nos relembrar a promessa de Deus feita a Abraão em Génesis 17 que por sua vez mostra a eterna aliança da graça. Lá em Génesis Deus prometeu Abraão que ele seria o pai de muitas nações, isto a fim de estabelecer uma aliança com ele e com a sua semente em ser seu Deus e lhe dar a terra onde se encontrava como um estranho a fim de a possuir para sempre. É esta promessa em Génesis 15 que Deus da fé a Abraão para a acreditar, fé que Deus contou a ele para justificação, (leia Génesis 15:6). Foi isto feito em circuncisão? Não, mas sim em incircuncisão, porque não foi até depois de as promessas terem sido feitas que a circuncisão foi instituída como um selo de acordo. Romanos 4:11

E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada;

Eis o porquê que a promessa não foi feita através da lei, sendo visto que a circuncisão é um figurativo da lei, mas sim ter sido instituída através da justiça da fé, (4:13). A promessa e a bênção da mesma são consumadas por Cristo no Evangelho, sendo Cristo a semente de Abraão. Não veio por obras mas sim por fé, não pela lei mas por graça. Mas qual foi a promessa? Em forma superficial pode parecer ter sido aquela terra física de Cana que veio a ser Israel do qual Abraão se encontrava como um estranho, mas tudo isso é somente uma figura e sombra para o qual a promessa se refere. Cana ou Israel nunca foi e nunca será para a posse eterna de Abraão ou dos judeus. Então o que é que indica está figura, o que é que representa quando fala numa posse eterna para todos aqueles que são as verdadeiras crianças de Abraão? O que representa é aquela eterna posse e herança do novo mundo que há-de vir do qual Abraão e seus descendentes são herdeiros mas não através da lei, mas sim pela justiça da fé. Romanos 13:14 Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.

Não em tempo mas sim em eternidade na glória da ressurreição. Um mundo em que o povo de Deus que foi comprado com o sangue de Cristo ressuscitara para uma nova vida em Cristo. Sendo ressuscitados e incorruptíveis tendo posto incorrupção na ressurreição para vir com gloriosos corpos espirituais. Este povo vivera para sempre em justiça no novo céu e na nova terra. Leia Coríntios 15 e Pedro 3:13 Apocalipse 21:1. É esta a herança que foi prometida a Abraão e aos que estão em Cristo Pelas obras e trabalhos do homem? Não, mas sim por fé.                                

Abraão acreditou em Deus sabendo que Deus iria lhe trazer esta herança através da morte. Nisto Abraão foi instruído através do teste quando lhe foi pedido para oferecer Isaac o filho que Deus lhe tinha prometido. Abraão obedeceu ou seu Senhor acreditando não só que Deus iria ressuscitar Isaac dos mortos, mas sabendo que tinha em figura Aquele que iria vir em tempos futuro. Aquele que tinha sido prometido que seria ressuscitado dos mortos em ordem de poder trazer a herança prometida para o seu povo tornando assim consumada a aliança.

Para que uma herança ou aliança seja concluída é sempre necessário que haja morte e é através da morte daquele que foi prometido que a promessa do novo mundo se realiza para todos que se encontram Nele, (Cristo). Leia Hebreus 11:8-19

É esta a promessa feita a Abraão. E se é por fé então não é por obras. Mas será que isto faz o anulo da lei? Claro que não – mas em contrário: estabelece a lei de Deus. Estabelece a lei pela morte de Cristo que por si mesmo sofreu o castigo que a lei exigia ao Seu povo. Cristo em Si sofreu a ira de Deus que por justiça pertencia ao Seu povo. Morrendo a morte que lhes pertencia, tendo sido feito anátema por eles e desta forma libertou-os do julgamento libertando-os do pecado. Por esta morte Cristo trouxe o seu povo pelas águas da morte para a vida eterna. Como em tempos antigos quando o povo de Israel atravessou o mar de Jordão para a terra prometida através da liderança de Josué o que é uma imagem do que o Senhor Jesus Cristo fez pelo Seu povo. Note que não foi Moisés que liderou o povo a atravessar o mar de Jordão para a terra prometida porque Moisés teve de morrer primeiro afim do povo poder atravessar o mar, mas sendo Josué que conduziu o povo de Israel.  

Deuteronômio 1:38Josué, filho de Num, que está diante de ti, ele ali entrará; fortalece-o, porque ele a fará herdar a Israel.”

Êxodos 15:16-17Espanto e pavor caiu sobre eles; pela grandeza do teu braço emudeceram como pedra; até que o teu povo houvesse passado, ó SENHOR, até que passasse este povo que adquiriste. Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó SENHOR, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.

 O que é uma imagem da obra de Cristo. É Cristo que faz o seu povo atravessar este tempo finito para a eternidade, e liberta-os da escravidão e do domínio da lei para a liberdade do Evangelho. Transacção do reino da morte para o reino da graça. É tudo isto que estabelece a lei. Assim satisfazendo todos os seus mandos e consumando todo o castigo que a lei mandava trazendo justiça para toda a eternidade para todos os descendentes prometidos – e só Cristo que o faz e mais ninguém. E é nisto do qual a fé se prende e se afirma – justificação pelo sangue de Cristo.

Será que a fé faz o anulo da lei? No verso 14 Paulo vira a mesa á esta pergunta hipotética do verso 3:31. Longe disso a fé não faz anulo há lei mas sim o oposto. A fé e a justiça vinda pela fé ambas as coisas instituem a lei, (consumando todas as promessas que por sua vez apontam ao tipo e figura estabelecendo aquela justiça que é exigida a fim de ser imputada para todos aqueles que acreditam.) aqueles que se viram para as obras da lei, a fim de poderem estabelecerem as suas mesmas justificações fazem por sua vez o anulo e o desfeito das promessas. Longe de se poderem justificar debaixo do domínio da lei, porque a lei trabalha ira condenando os pecados daqueles que por ela (lei) são dominados deixando-os condenados a morte. Longe de ser uma forma de viver a lei mostra-se como ordenança de morte, tornado a palavra numa assassina. A lei não deve nada a fé nem tem domínio nem dependência. Gálatas 3:12Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá

A lei ordena obras sobre todos aqueles que por ela são subordinados. Trabalhos do qual os subordinados se encontram sem a habilidade necessária para lhe render em perfeição. Porque a lei de Deus exige perfeição e está longe de poder trazer a promessa, como nos é dito em, Gálatas 2:21 Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” e a Abraão Deus ensinou-lhe o contrario.

Abraão sabia que a promessa só poderia vir pela fé, somente pelo trabalho de Deus em sua vez, e só pela graça. Ele sabia que a justificação não poderia ser alcançada pelo seu poder ou habilidade em cumprir a lei, porque lhe faltava a força por natureza estando morto em trespasses e pecados. Ele sabia que é Deus que traz a justificação ao pecador e é por Deus imputada – ainda em pecado para que a herança viesse através da morte de Um outro. Por duas vezes Deus ensinou Abraão a necessidade da ressurreição. Deus tendo prometido ao Abraão e a Sara uma criança, criança que só veio pelo comando de Deus enquanto ambos ainda estavam mortos espiritualmente pelos pecados. E esta criança veio quando Sara já tinha ultrapassado a idade de poder conceber naturalmente (Romanos 4:19). Mesmo assim olhando para a idade passando toda a esperança de poder dar a luz naturalmente, quando a fé foi testada até ao limite, só depois é que Deus recompensou a fé de Abraão, (Romanos 4:18) “O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência” dando-lhe a criança que lhe tinha prometido.

E noutra vez Deus ensina Abraão sobre a herança na ressurreição, quando Deus ordenou que o filho prometido de Abraão fosse sacrificado. Agora como podemos ver Abraão acreditou em Deus, sendo “E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.” (Romanos 4:21) contando Deus “que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; E daí também em figura ele o recobrou.” (Hebreus 11:1819) uma figura de quê? figura de ressuscitar dos mortos o nosso Senhor Jesus Cristo.

Romanos 4:25O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.

 

Foi nisto que Abraão acreditou, e em que Deus lhe contou como justificação, tendo trazido a justificação pela fé de Jesus Cristo imputando a todos que acreditam. Aquela justificação que estabelece e conclui a lei divina de Deus, e é nisto que todas as crianças de Deus e todas as de Abraão se encontram em descanso pela fé: porque nós não anulamos a lei de Deus, Romanos 3:31Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.

AMEM

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